Quinta-feira, Maio 24, 2012

grãos IMÓVEIS

Procuro grãos imóveis numa praia milenar,
mas de todos os votos que fiz
todos me cheiravam a deboche;
falsos chapéus de amarelos redundantes
perpétuos; e por muito que o sejam
nenhum chapéu alguma vez levou ao inferno,
mas há infernos que levam a peúgas.
Como Dge-'dun-grub-pa
e Max Schreck já diziam:
'Pode-me chegar aí o ácido lisérgico?'

Anónimo

Terça-feira, Maio 22, 2012

The hyperreal eye

20 years after 1984, Big Brother is dancing & singing & taking rabbits from his hat, treating us with this fin de siècle society of the spectacle, on the TV Bill O'Rlyeh is snarling shut up you pinhead - I for one welcome our reptilian overlords, cut to a model's silicon implants telling us about the brand new cactus-flavored Bovril, which you absolutely've got to try, moving along the East River you can see the sore left after Flight 11 and Flight 115 crashed onto our inadequate sense of infallibility, spreading green fear all over the civilized, modern, safety-conscious world, & now that spot is filled with twin placeholder spotlights pointed at Alpha Centauri, & you wonder if by any chance they might momentarily blind Echelon's omniscient eye in the sky, but then an augmented reality troll strolls by, beneath its neon glow veil a half-perceived off-duty Starfucks clerk reading a Mothman e-comic book, by then your Vril high – brought to you by the good folk at the Holy Church of Scientology's Nepentech Program – is really kicking in, thousands and thousands of Moloch buildings marching along 5th Av. & you remember Commander-in-Chief George W. Boosh sayin' either you're with us or you're with Mantis (who's been popping up lately in every madman's mind, every housewife's dream and the aethernets), flashbacks of Richard M. Nexus going I'm not a croc, moments after putting the final nail to the American Dream's coffin & sometimes you just wish you were one of those romantic Sons of Nada going around throwing molotovs at the pigs you'd have your Hoffman glasses on & black hoodie & bandana too but as you walk past Vril Street where years earlier Gordon Gecko brought the system to its knees & now again it's flooded with toxic assets, you are reminded of the Great Gray China & the National Debt looming over everyone's head and that you, Duluoz, would always choose the lesser of two evils but as the Vril is blasting full-on psychedelia through your mind you put those worries aside & you're beginning to wonder if that augmented reality thing up on Times Square is really Spongebob Squarepants or Shiva the Destroyer come to whisk you away from Spaceship Earth.

Anónimo

Segunda-feira, Abril 23, 2012

This Is Not Sparta

A Natureza não me fez combatente
Eu bato-me a golpes ritmados de anca
Na pista de dança como na alcova
Tão pouco me soube fazer capaz
Da força das convicções que por norma servem de combustível ao arremesso de
Cocktails molotov

Por isso não me alistem nas vossas fileiras
Por favor não me colem cartazes às mãos

(De mais a mais, julgo ser mais subversivo o pingar do mel
Do que o bater de um punho)

Anónimo

Segunda-feira, Abril 16, 2012

Qualintefarus and the Blind Man

One day, Qualintefarus passes by a homeless man with a sign that only said: "Move along please."

Struck by the strangeness in this sign he approaches, and as he does so, the man says:
"Please, move along, I may be blind, but can sense you nearing me."
"But sir." - says Qualintefarus - " I just wanted to help."
"No need, m'lord." - answers the man - "I have no part in this world, so don't make me be part of this world."
"I have gouged my eyes out, had no strength to take the rest, my tongue, my hears, my hands..."
"But why would you do that??" - asked harshly Qualintefarus.
"I have seen every corner in this world, touched every wench's breasts, spoke every language, tasted every drop of water, moved every stone. Don't want anything with it anymore."
"Why don't you just kill yourself then???" - stated Qualintefarus angrily.
"Then it would be my choice."

And Qualintefarus walked away, almost depressed, but glad the man had a choice.

Moral of this story:
"The flowers in an homeless man's garden are just as stupid as yours"

Terça-feira, Abril 10, 2012

...

Porque aqui a tendência é sempre simplificar. Depurar. Delapidar. Eliminar todo o vocabulário supérfluo. Ao ponto de se ser primário. Tosco. Simplório. Na essência, não ter saído nunca da idade dos porquês. Por saber que, no fim de todos os porquês, há um que não admite resposta. E que assim torna obsoletas tanto a resposta como a pergunta.

Anónimo

Sábado, Março 24, 2012

De Porfírio

Porfírio, o Falso Profeta Falhado, tornou-se assim conhecido por, contra todas as suas piores intenções, proferir as previsões mais exactas que alguma vez se ouviram. Porfírio, como muitos na época, era um charlatão, um vulgar bandido que explorava a credulidade das massas, vestindo a toga de guru espiritual. Porfírio, o Falso Profeta Falhado, conseguiu desta forma reunir em seu redor um considerável número de fanáticos servidores dispostos a dar a vida por ele; numerosas ninfas pré-pubescentes cujo desejo maior era ser sua concubina.
Porfírio, no entanto, nos seus mais tortuosos planos não previra um revés que, em última instância, se revelaria fatal: não é que as suas profecias tinham o mau hábito de se tornarem infalivelmente verdadeiras?
E como invariavelmente acontece a profetas deste género, foi uma questão de tempo até que Porfírio profetizasse a sua própria queda...

Anónimo

Quinta-feira, Março 22, 2012

Tempo

Em sonhos vomito relógios parados.
Ditam a meia-noite, as zero horas.
Paro e seguro um. E este começa a trabalhar, e de repente são Nove.
São Nove Horas e Nove Minutos e Nove Segundos e Nove Momentos...
E então esmago-o contra a cabeça.
E de novo são zero.

Anónimo

Terça-feira, Março 20, 2012

Desesperança

Já que a esperança é a última a morrer
Façamo-nos exímios esgrimistas
Para lhe desferirmos a estocada final

Sejamos antes berço
Em que se embala a desilusão,
Criança investida de verdade

(o seu choro proíbe que se crie pessoas adormecidas...)

Anónimo

Domingo, Março 18, 2012

véu

já não existe verdade, tudo está coberto, por fim, num véu de mentira.
nada é dito ou feito com completa honestidade; descende de uma necessidade ou desejo, privado ou público.
já nada merece ser aproveitado, pois este manto dae decepção cobriu todo o locus veritas.
Em breve o fim será a faca que rasgará aquilo que chamamos de realidade, e uma nova verdade nascerá, uma verdade verdadeira.

Anónimo

Quarta-feira, Março 14, 2012

Enxada

De nada adianta deitar abaixo, se tudo com que se fica é um terreno baldio. A terra, se deixada ao descuido, depressa se volta a cobrir das mesmas plantas daninhas que outrora vieram a comprometer a integridade estrutural dos nossos edifícios...

Anónimo, o Construtor

Segunda-feira, Março 05, 2012

Qualintéfaro e a Caverna

No final dos seus dias, Qualintéfaro viaja, deambulando sem rumo pelas montanhas, suas vizinhas. E, certa ocasião, depara-se com uma pequena caverna, escondida por detrás de uns fetos mutantes.
Era uma caverna bastante medonha, de tom sombrio e, por estar escondida de qualquer indício de luz, exalava um odor fétido e seco, tal que parecia atacar fisicamente quem se aproximava.

Qualintéfaro, aventureiro como sempre foi, não hesitou e avançou escuridão a dentro.


No interior, uma brisa uterina abraça-o lentamente enquanto avança. Cada vez que dá um passo, o tecto diminui e as paredes aproximam-se. A escuridão aumenta assim como o conforto. Qualintéfaro encolhe-se e aconchega-se na profunda chaga do Planeta.

E lá ficou, para nunca mais ser visto.
Moral da história? Para quê?

Anónimo

Domingo, Março 04, 2012

Sometimes

Sometimes intelligence is just knowing when to leave.

Anónimo

Terça-feira, Fevereiro 28, 2012

Nós-próprios

Nunca sentimos a falta de nada.

Somente o excesso de nós próprios.

Anónimo

Domingo, Fevereiro 26, 2012

Contra-natura

Viver é um acto de rebelião contra o Cosmos. A Vida não é nativa a este Universo, é a coisa anti-natural por excelência. E nós, os vivos, somos todos, sem excepção, tremendas forças guerreiras combatendo poderes desproporcionais. Chegamos esperneando e gritando e saímos da mesma forma. Se tudo correr bem, pelo meio faremos exactamente a mesma coisa.
Cada segundo que passa sem que o Universo nos faça a folha é uma vitória colossal. É certo que não passamos de um lapso de meros biliões de anos e que a derrota é inevitável. Mas enquanto vivemos, e mantemos a chama acesa, o Universo é humilhado.

Anónimo

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2012

Más Caras

Toda a gente tem uma,
umas são melhores que outras,
mas nenhuma é realmente boa.
Umas escondem mais, outras mostram menos,
mas nenhuma é realmente boa.

Más caras, são meios de fuga, são métodos de escape.
Para os mais valentes, são fáceis de tirar,
para os mais fracos, são faces sobre as faces.

Mas se escondes algo, e usas uma má cara, cuidado,
ainda tens uma cãibra.

Anónimo